
Salmos 1:1-3


Porque louvamos? Há algum tempo atrás um amigo disse-me em confidência, após o tempo de louvor num culto: “hoje o louvor parece que sai a ferros”. Compreendi perfeitamente o que ele queria dizer, precisamente porque, por vezes, me sinto dessa forma. Buscamos uma sensação de bem-estar que quando não surge, nos faz sentir que estamos a esforçar-nos em vazio. O que acontece de errado então? Somos nós, é a nossa atitude, são as circunstâncias? Afinal, se louvar nos faz sentir bem, não deveria fazer-nos sentir bem, sempre?
Porque louvamos a Deus? Por obrigação? Porque o servimos e somos salvos e temos essa obrigação em forma de privilégio? É essa a razão de louvarmos a Deus?
David louvava e adorava a Deus em todo o lugar. No campo, enquanto pastoreava, compunha, tocava e entoava cânticos de louvor a Deus. Tinha uma vida de estreita intimidade com Deus, cuja consequência natural era louvar. Deus declara na Bíblia que David era um homem segundo o Seu coração. David não se constrangia perante fosse o que fosse quando o assunto era Deus, e Deus honrava-o por isso. Derrotou Golias na força do Senhor dos Exércitos (1 Samuel 17:45) e a certeza da confiança que tinha n’Ele levou-o a declarar, quando foi desprezado pela sua mulher por dançar e louvá-lO publicamente: “sim, foi perante Senhor que dancei; e perante ele ainda hei de dançar. Também ainda mais do que isso me envilecerei, e me humilharei aos meus olhos” (2 Samuel 6:21, 22).
No segundo livro de Crónicas, capítulo vinte, lemos acerca de um episódio da história de Judá, sob a liderança de Jeosafá. Num tempo de angústia e aflição, em que o povo reconheceu total e completa incapacidade e pediu a Deus, não ajuda, mas livramento, foi através do louvor que Deus trouxe vitória. Uma das frases mais simples e tocantes que já li na Palavra de Deus, reporta-se a esse episódio, em que Jeosafá, diante da congregação de Judá, termina o apelo a Deus com esta frase: “Porque nós não temos força para resistirmos a esta grande multidão que vem contra nós, nem sabemos o que havemos de fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti” (2 Crónicas 20:12). E diz a Palavra de Deus que, indo Judá ao encontro do inimigo, louvando a Deus, chegou ao campo de batalha apenas para encontrar os exércitos que lhe vinham ao encontro, aniquilados, restando apenas saquear o despojo da batalha. Jeosafá conduziu o povo numa atitude de apelo a Deus e descanso n’Ele (“porém, os nossos olhos estão postos em ti”), e na confiança posta em prática através do louvor, levando Judá a experimentar o indescritível livramento de Deus.
Vitória, alegria, angústia, tristeza, livramento, são situações reais de uma vida real, muitas vezes a nossa. Então, porque devemos louvar a Deus? David expressou o que sinto e creio ser a razão, da forma que melhor traduz o que sinto: “O Senhor reina.” (Salmo 97). De facto, é porque o Senhor reina que o louvamos. Quando experimentamos o reinado d’Ele na nossa vida, como deixar de O louvar?
Mas o que é de facto, louvar e adorar? Louvar é glorificar, abençoar, celebrar, exaltar, festejar, aplaudir, elogiar, gabar, enaltecer, bendizer. Adorar é amar, honrar, respeitar, reverenciar, venerar, admirar, apreciar. E é impossível que conhecer Deus não nos leve a ter desejo de fazer e sentir todas estas coisas. Então, louvamo-lO porque Deus é Deus. Não por qualquer outra razão, mas porque Deus é Deus, na angústia e na dor, mas também na alegria e vitória. E é por essa razão que mesmo que tudo à nossa volta pareça inverno, estamos certos da razão de louvarmos o nosso Rei.
“O Senhor reina, regozije-se a terra” – Salmo 97:1
Porque esperamos por datas que legitimizem a mudança? Porque queremos mudar, mas não queremos sair do nosso conforto, entramos num estado de inércia, e ficamos à espera que a mudança aconteça. Falhamos em entender que o tempo é aqui e agora, e que somos nós o agente da mudança.A palavra de Deus é clara acerca disto. Se entendes que precisas de mudar, muda. É tão simples e no entanto tão difícil, não é? Estamos habituados à nossa rotina, ao nosso conforto, a não termos que sair do nosso caminho e mais que tudo isso, a que tudo seja relativo e portanto a que o nosso modo não seja menos importante ou melhor ou pior que o modo dos outros. Então, mudar porquê e para quê? É preciso quebrar com este vício da consciência, esta estagnação do entendimento, abrir os olhos e ver o mundo como ele realmente é. Mais importante, vermo-nos como realmente somos e entender o nosso pequeno canto do mundo já não comporta o isolamento de carácter a que nos propusémos ao longo do tempo.
"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."
Romanos 12:2



Este post marca um ponto de viragem na orientação deste blog. O blog foi criado visando músicos cristãos específicamente. Era na altura o sentimento do meu coração. De algum tempo a esta parte tenho sentido de outra forma e portanto o conteúdo do blog passa a ser direccionado (como de resto já vem a acontecer desde o último post) a todos quantos O receberam (João 1:12).
Marcos 12:30 "30 Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças[...]"
Salmo 130:5-6
"A união faz a força ", já diz o provérbio popular. Por vezes perdemos tanto tempo com a defesa do nosso espaço, das nossas ideias, da nossa maneira de pensar, que esquecemos que os outros também têm o espaço deles, as ideias deles, a maneira de pensar deles. E no entanto temos de trabalhar juntos.
Uma luta minha de há algum tempo a esta parte tem sido, como levar os outros a envolver-se em adoração. Estou farto de ver a passividade com que as pessoas encaram a adoração, com que encaram o estar na presença de Deus.
Cada vez mais sinto esse peso. Por vezes sinto que quanto mais nos (a equipa de louvor) esforçamos por conduzir os outros em adoração mais dificuldade sentimos. Por outro lado, existem momentos em que tudo parece fácil e tudo o que fazemos sai bem, sem sequer compreendermos porquê. Mas começamos a compreender...
Apercebi-me que esses momentos acontecem quando entregamos o que somos, o que sabemos, os nossos anseios nas mãos de Deus e simplesmente O louvamos com os nossos instrumentos e vozes. O que me fascina mais é que nunca acontece que um de nós se destaca mas antes todos tocamos como um, em sintonia completa. E é sempre nesses momentos que o povo responde com um surto de adoração incrível. Ninguém fica passivo.
É realmente algo que ultrapassa a minha compreensão, mas de novo, Deus é assim. E sinto cada vez mais que é essa a atitude a ter.
Recentemente percebi que repetir, imitar os outros não é bom. Aquele grupo, aquele vocalista que admiramos... não deve passar disso, pois Deus dá-nos dons para usarmos, não para imitarmos.
De tentativas recentes de reproduzir algo que ouvi ficou-me esta convicção. Não à imitação, sim à renovação.
30 / 06 / 2006
Depois de ler os comentários a este artigo e reflectir sobre eles, decidi acrescentar algo mais.
Muitas vezes tentamos imitar os outros, as suas atitudes, expressões e inevitavelmente, transpondo isto para a música, tentamos recriar o ambiente que esses músicos proporcionam.
Ora, isto é um erro imenso. Primeiro, ao fazermos isto estamos a limitar a intervenção do Espírito Santo. Se nós já decidimos de antemão como vai ser, que papel tem o Espírito Santo? É o mesmo que dizer a Deus: "Deus, já temos isto tudo ensaiado. Agora já podes usar o que preparámos para operar no povo.". Ridículo, não é? Como se a mente do Rei do universo fosse igual à nossa, para ousarmos limitar Deus àquilo que achamos melhor.
Segundo, caímos no erro imenso de pensarmos que a unção que Deus derrama sobre a vida dos seus servos pode ser imitada. Vemos aquele dirigente mover as pessoas em adoração, vemos músicos que ao tocar, tudo lhes sai bem, tudo é perfeito. Isto ultrapassa, de facto, o campo musical, acontece em todas as áreas. Começamos a pensar, demais, que era fenomenal ser assim também conosco. E depois começamos a imitar, a tentar obter para nós o que os outros têm.
Deixem que partilhe um segredo convosco, pianinho (em voz "baixa") para não escandalizar alguns... a unção de Deus NÃO PODE SER IMITADA. Ok? Há pessoal que quer fazer à força o que alguém que tem para trás toda uma vida de consagração, de dedicação, de serviço e que por isso e para isso tem sido abençoada e ungida. Não resulta pessoal, não resulta. Deus tem um plano para nós. E é um plano bem específico para cada um, não é o do outro. E é deixando que Ele cumpra o Seu plano na nossa vida que seremos abençoados e ungidos para O servir.
![]()
Jesus disse: "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai." João 14:12
Como músico e seguidor de Cristo, deparo-me frequentemente com dilemas que envolvem, tanto a minha actividade secular, como as minhas responsabilidades a nível do louvor e adoração na igreja de que sou membro.
Estou certo de que não sou o único.